A 1ª Vara Criminal de Cuiabá rejeitou os embargos de declaração apresentados pela defesa de Carlos Alberto Gomes Bezerra, conhecido como Carlinhos Bezerra, e manteve a condenação a 36 anos de prisão, em regime inicialmente fechado, pelos assassinatos de Thays Machado e Willian César Moreno. A decisão foi proferida nesta quinta-feira (27) pela juíza Mônica Catarina Perri Siqueira.
Carlinhos foi condenado pelo Tribunal do Júri em julho deste ano. A pena foi fixada em 20 anos pela morte de Thays e 16 anos pelo assassinato de Willian, totalizando 36 anos de reclusão.
Nos embargos, a defesa sustentava que havia contradição na sentença quanto à forma como os dois homicídios foram considerados para o cálculo da pena. Os advogados defendiam a aplicação da chamada continuidade delitiva, tese que poderia resultar em uma redução no tempo total de prisão.
O argumento era de que os dois crimes teriam ocorrido dentro de um mesmo contexto e motivação. A magistrada, no entanto, afastou a tese ao concluir que, apesar de existir uma origem comum para a conduta, houve decisões autônomas de matar cada uma das vítimas.
Segundo a decisão, o fato de os homicídios terem sido motivados pelo inconformismo de Carlinhos com o fim do relacionamento com Thays e pelo novo relacionamento dela não significa que tenha existido uma única intenção criminosa.
A Justiça levou em consideração, entre outros elementos, a dinâmica dos assassinatos. Enquanto Thays foi atingida no local onde estava, Willian percebeu a ação e tentou fugir, mas foi perseguido e atingido durante a fuga. Para a magistrada, a circunstância evidencia uma decisão específica voltada contra a segunda vítima.
Antes da análise da Justiça, o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) já havia se manifestado contra o pedido da defesa. O promotor Rodrigo Ribeiro Domingues, do Núcleo de Defesa da Vida, argumentou que a existência de uma mesma motivação não impede o reconhecimento de intenções autônomas em relação a cada vítima.
Na decisão desta quinta-feira, Mônica Perri considerou que não havia contradição, omissão, obscuridade ou erro material na sentença que justificasse o acolhimento dos embargos.
Com isso, foram mantidos tanto o total de 36 anos de reclusão quanto o regime inicialmente fechado e a execução imediata da pena.
O CRIME
Thays Machado e Willian César Moreno foram assassinados em 18 de janeiro de 2023, em frente ao Edifício Solar Monet, no bairro Consil, em Cuiabá.
Conforme a acusação apresentada no processo, Carlinhos não aceitava o término do relacionamento com Thays. O casal foi surpreendido no local e os dois morreram durante a ação.
Carlinhos foi localizado e preso ainda no dia dos crimes, em uma propriedade rural da família em Campo Verde.
Após o julgamento pelo Tribunal do Júri, realizado em julho de 2026, ele acabou condenado pelos dois homicídios. No caso de Thays, foram reconhecidas circunstâncias relacionadas ao feminicídio, enquanto a morte de Willian também resultou em condenação por homicídio qualificado.
A rejeição dos embargos representa mais uma derrota da defesa após a condenação. Em agosto, o Supremo Tribunal Federal (STF) também rejeitou uma reclamação apresentada pelos advogados contra atos da juíza Mônica Perri relacionados ao processo. Naquela ocasião, o ministro Luiz Fux concluiu que não houve violação ao direito de acesso da defesa às provas.
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